"Você é o que escolhe ser. Escolha o amor." Isha

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Como poder amar incondicionalmente?


Amar incondicionalmente, dar sem esperar nada em troca. Todos nós pensamos que deveríamos fazê-lo, mas a maioria das vezes estes conceitos ficam em nobres ideais, impossíveis de alcançar. Por que é tão difícil amar incondicionalmente?

A razão pela qual não podemos amar aos demais sem condições é porque não sabemos como amar a nós mesmos. Como posso dar o que não tenho? Como posso perceber a perfeição nos outros, aceitá-los como são, se me vejo como defeituoso? A única maneira de amar incondicionalmente é aprender primeiro a amar a nós mesmos.

Ironicamente, na sociedade moderna temos a ideia de que amar a si mesmo é egoísta. Na realidade, é egoísta não se amar porque enquanto você se rejeita e se julga, focando-se no que está mal, sempre irá necessitar algo dos outros: a aprovação, a aceitação, o reconhecimento. Isso é ser egoísta: tomar de seus seres queridos, ao invés de dar livremente. Amar-se é, na realidade, deixar de ser egoísta e começar a se responsabilizar: assumir a responsabilidade de sua própria felicidade, sua própria realização como pessoa.

Assim, estar consigo mesmo é suficiente, a própria presença é um prazer, poder dar livremente a aqueles ao seu redor sem condições, sem necessidade, sem temor. Quando se sente completo, dentro de si, é uma alegria natural dar aos outros, para servir-lhes em sua própria autorrealização e recordar-lhes sua própria perfeição.

Há outra ideia falsa, e é que isto alimenta o ego. Mas o ego, na realidade, é essa voz que nos convence de que há algo mal conosco, essa voz que nos julga e nos mantém sendo menos. Frequentemente se adota uma postura falsa de orgulho e superioridade arrogante como proteção, mas se não podemos ver isto pelo que realmente é – profundo medo e insegurança – é apenas porque estamos presos no mesmo jogo do julgamento e da rejeição a si mesmo.

Então, o primeiro passo para poder amar-se incondicionalmente começa por ser honesto consigo mesmo, ver-se como é na realidade, pois assim, vendo e abraçando tudo o que é, se pode também mudar. Não estou falando aqui de atuar o amor incondicional, mas converter-se no amor incondicional, de sê-lo. E verá que abraçar-se assim como é, converterá você na pessoa que sempre sentiu que queria ser.

Isha

Tradução: Fabiana Simões

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O tempo se acelera e a vida não alcança. O que fazer?



Com a velocidade dos acontecimentos no dia a dia, sentimos que não temos tempo, que nos falta, que tudo se acelera e que parece que não damos conta. Estamos sempre correndo, enganchados em um comboio que vai cada vez mais rápido e sentindo que ficamos para trás. Perdemos o momento presente, não o vivemos, passamos por cima dele nesta corrida diária.

Paradoxalmente podemos ir nesse ritmo, sempre que nossa atenção está absolutamente focada em cada momento. Quando éramos criança, tínhamos esta experiência de viver totalmente no momento presente, com simplicidade e inocência. Podemos voltar a recriá-la. Nosso intelecto vive naturalmente no passado ou no futuro, essa é sua função, já que está resolvendo o que seja que esta dualidade lhe apresente. Isto provoca um elevado nível de estresse, temendo repetir o passado no futuro, e isto ativa a adrenalina, e o controle se torna permanente. Mas na realidade não podemos controlar nada, podemos planejar, mas não controlar, e, no entanto, o medo ao que possa acontecer não nos deixa soltar a rigidez desse controle para podermos fazer as mudanças necessárias.

Então, o que podemos fazer? Nada sai como planejamos, fazemos o mesmo de sempre e vemos que já não funciona. Temos uma ideia de como costumávamos fazer, o aplicamos, e não vai! É como utilizar os métodos de antes da internet neste tempo. Impossível! Mas nossas mentes às vezes têm essa brecha, experimentam essa diferença. E não se trata de dizer não ao que está acontecendo, trata-se de abrir-nos a mudar.

Podemos descobrir o poder do momento presente. Podemos soltar a rigidez das velhas formas e abrir-nos ao que é agora. Podemos nos recriar em cada momento de acordo ao que a vida nos apresenta. Nunca é tarde, podemos soltar a bagagem que nos limita, agora. Neste momento, podemos permitir que as mudanças aconteçam, que o velho encontre seu caminho de saída, e confiar no novo que se apresenta, ou pelo menos abrir-nos a ele. A insanidade é fazer sempre o mesmo e esperar um resultado diferente. No entanto assim vivemos diariamente. Fazemos sempre do mesmo jeito e brigamos com o que acontece porque é sempre igual também.

Hoje lhes proponho verem em cada momento como podemos fazer algo diferente e abrir-nos a sentir, ver e experimentar o resultado, sem expectativas e com inocência. Tal como lhes conto em meu livro e filme (Por que caminhar se você pode voar? – nota da tradutora), vivemos como se estivéssemos olhando através de uma janela suja, tecida por nossas experiências e vendo, então, apenas o que nossa percepção nos permite ver. Ao nascer, essa janela estava limpa. Hoje podemos limpá-la outra vez. A percepção da escassez, por exemplo, faz com que demos pouquinho à vida para estarmos seguros, e no entanto esperamos tudo de volta. Se nos abrirmos mais, se damos mais, poderemos receber mais. Nossa percepção vai mudando porque a vida se trata daquilo que você lhe dá, e aquilo que você escolhe em cada momento.

Então, por exemplo, se você dá à vida, na sua experiência, cem por cento, vai obter um milhão por cento de volta; se dá 40%, obterá isso mesmo, e se dá inclusive 90%, obterá no máximo 90% de volta. Para exemplificar isso: sabem quando não tem vontade de fazer algo por x motivo e o fazem, mas o fazem mal feito? Notaram que geralmente o resultado não é satisfatório?

Então, o que você fará é escolha sua e o que receberá, também. Se você dá tudo, vai obter de volta mais do que sua imaginação possa conceber. Obterá tudo, obterá o paraíso na terra. Por quê? Porque você não será prisioneiro do medo, porque você caminha na vida com a cor da confiança e da entrega, porque o amor incondicional em seu coração lhe guia momento a momento. E assim não poderá criar nada menos que o melhor para si e aos que lhe rodeiam, e sem dúvida criará alegria, paz e mais amor em cada momento.

Isha

Tradução: Fabiana Simões
Foto: http://comentadordesbocado.blogspot.com.br/2013/01/ando-sem-tempo.html


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Feliz Dia da Amizade!!!




Da solidão ao encontro de seu melhor amigo

Nestes tempos em que vemos as notícias do que acontece e nos sentimos sobrecarregados e desolados, e esse sentimento se aprofunda se nos conectamos com o passado, com o que tínhamos, com os afetos perdidos e tudo o que já não está, sentimos isso como o peso que foi deixado no transcurso dos anos, a história. Muitos se conectam com um vazio e o atribuem à falta de apoio emocional externo, a que ninguém se preocupa por eles ou à falta de um(a) namorado(a), de um amigo, da família. Enfim, os motivos são diferentes. Muitos estão longe de sua terra natal, movidos por necessidades econômicas, e não conseguem criar raízes ou sentir que pertencem.

Qualquer que seja a causa, o sentimento de solidão aperta o coração, fecha a garganta, faz com que nos fechemos e vivemos em pânico e angústia. Sentimo-nos vítimas do desamor. Muitas vezes tememos este sentimento mesmo que estejamos rodeados de pessoas, mas nossas velhas dores, nossas proteções para não sofrer e tantas coisas mais, nos fazem impermeáveis a compartilhar os afetos.

Desta maneira não podemos receber, não podemos detectar o que vem para nós, o que nos querem dar, já que esse sentimento fecha as portas. Outras vezes estamos tão aferrados ao passado, a castigar-nos pelo que não fizemos ou pelo que nos saiu mal, ou temos tantos ressentimentos que são como uma couraça de aço que já não nos permite nem nos aproximar, que só existe isso para nós: o velho sentimento de reprovação, de rancor por algo que já sucedeu. E é assim como fechamos as portas à vida e às novas vivências compartilhadas. Geralmente não percebemos que, os únicos que o ressentimento realmente lastima, é a nós mesmos.

Estes rumores subterrâneos tiram-nos as forças, tiram-nos as vontades e afundam-nos neles. É um enfoque de nossa mente que repete o passado, que não nos permite viver o presente e que não vê o futuro, só vê o mesmo que já foi. Minha intenção neste encontro é compartilhar um convite para deixar ir o passado e abraçar o presente, novo, fresco, com inocência, alegria e amor. Isto é o que eu tive que descobrir para sair de meu próprio sentimento de solidão e abandono no qual estava imersa afogando-me nos medos, e enquanto não toquei fundo, não pude sair. É bom tocar fundo, já que só há uma direção para a qual ir, e é saindo daí, fazendo o oposto do que temos feito até agora, e, sobretudo, amando esse lugar no qual nos sentimos vítimas apenas por viver.

Temos uma tendência automática que às vezes se transforma em vício: sofrer. Meu convite é para descobrirmos algo que está esperando a ser acordado em si, está dentro, em seu coração, pelo simples fato de você ser humano. E este caminho leva você a viver em amor-consciência. Quando expandimos o amor incondicional em nós, desfazendo dos medos e da bagagem que nos pressiona e separa, a solidão é um sentimento que já não existe. Você começa a abrir-se a receber, pois está dizendo SIM a si mesmo, à vida, estando presente à cada momento com o que é, em lugar de estar ausente, pressionado pelo que foi e encapsulado pelo medo de que volte a se repetir.

A consciência jamais está sozinha. Observe as crianças: elas brincam sozinhas, imaginando coisas, sentindo-se completas dentro de si em cada momento. NÃO pensam “seria mais feliz se tivesse mais amigos”, elas não pensam assim. Apenas criam seu próprio entretenimento. Tudo o que você precisa está dentro de si. A consciência jamais está sozinha, porque está amando a si mesma. Desfruta de si mesma e vive completa dentro de si. Você pode estar em uma sala com cem pessoas e sentir-se só, porque estar consigo mesmo é insuportável: “Não gosto de estar só, preciso de alguém ou algo que me distraia e me mantenha afastado de mim”. Mas se está ancorado no amor-consciência pode estar sozinho, mas nunca sentir-se só, pode escolher estar com alguém, mas na realidade não precisa de ninguém. O que achamos que precisamos é uma ideia, porque buscamos fora, porque nos afastamos da fonte, porque temos o hábito de ver o copo meio vazio ao invés ver meio cheio.

O que aconteceria - e esta é minha proposta neste encontro – o que aconteceria se a cada vez que você sente que lhe falta algo e que dirige o olhar para fora de si buscando, passo seguido a não encontra-lo, passo seguido a se sentir pesado, sem disposição, triste, sem forças, desalentado, ou como seja, como se tivesse uma grande bagagem que pesa mais a cada dia, o que aconteceria se você se focasse em apreciar as menores coisas que lhe rodeiam, apreciar, ainda que não faça sentido, a florzinha pequenina que quase pisou e que em sua pequenez goza de uma perfeição de linhas, de formas, até de aroma, que é de maravilhar-se? E se você apreciasse o menino brincando, o cão guardando seu osso, a mamãe que carrega sua filhinha, ao casal que caminha de braços dados como se não existisse nada mais no mundo, a nuvem que está por tampar o sol, ao som do tráfico tão ruidoso que quase poderia ser uma sinfonia desafinada, e assim, tudo você olha com apreciação? Notaria que algo em seu peito, em lugar de se apertar, começa a se abrir, e até que, em algum momento, talvez você se encontre com um sorriso que se esboça desde dentro para fora.

O apreciar é como dizer sim a tudo, e talvez, apenas talvez, você até note que começa a emanar esse SIM e a atrair a atenção de outros que vibram nessa sintonia. Mas sem expectativas, não para conseguir algo, senão para viver o momento com outro sentimento, com outra cor. Aprecie seu hoje. E escute, escute profundamente dentro de si e verá como a solidão ficou para trás e você já encontrou o seu melhor amigo. E assim, sanando a separação de si mesmo, você também não se sentirá separado do resto. Quando o amor está fluindo desde dentro de si, você pode dar aos outros, e também encontrar, o que estava buscando em tantas partes e com tantas pessoas: seu melhor amigo. Estava o tempo todo lhe esperando, esteve sempre ali, em seu coração.

Isha

Tradução: Fabiana Simões
Foto: httpwanessalins.blogspot.com.br201112abraco-guardado.html

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Desfrutar versus criticar


Parece tão simples dizer, mas tão difícil fazer. Nosso olho crítico e treinamento automático vê o que está errado e atua de imediato e tinge o momento com sua percepção.

Porém vou convidá-lo a imaginar que você está aos pés do Aconcágua, a montanha mais alta da Cordilheira dos Andes. Aconcágua significa “sentinela de pedra” na língua quéchua e a montanha se destaca como um belo exemplo da conquista dos temores da mente.

Para chegar ao topo da montanha, você deve ultrapassar seus medos e centrar-se na apreciação e na alegria. Então poderá ver o mundo desde um ponto de vista transcendente, celebrando a beleza exuberante que está diante de você. No entanto, para poder chegar lá em cima, tem que fazer o caminho um passo por vez.

Se você está obcecado em chegar ao cume, não verá as flores que estão a seus pés. Você pode ir saltando sobre margaritas e passar por rebanhos de cabras que pastam na montanha (como Julie Andrews no filme Noviça Rebelde), ou caminhar ao longo da trilha solenemente rumo à sua meta sem perceber a beleza ao seu redor.

Na realidade, cada passo é o caminho: o amor, a alegria, a abundância que estamos vivendo aqui e agora.

Talvez possa aplicar isso em sua viagem através do resto de sua vida, foque-se na alegria que está sempre ao seu redor. Perceberá que alcançou sua meta sem esforço e pleno de regozijo.

Claro que às vezes agimos fora de contexto, utilizamos nosso intelecto extremadamente em situações que não competem análise, então se empreende uma experiência nova desde o sentir, receptiva, não analítica.

Por acaso, quando você está assistindo a um filme, se pergunta como chegou a imagem à tela da televisão, de que satélite está transmitindo, como os milhões de pixels individuais se combinaram para criar todas as cores diferentes? Não – isso faria com que o filme fosse realmente chato!

Então por que não podemos olhar a vida da mesma maneira, inocentemente abraçando a maravilha e o mistério, o próximo capítulo inesperado ao virar a esquina? Por que estamos sempre analisando e esmiuçando tudo? A análise nos deixa presos na densidade e complexidade, enquanto o amor-consciência é todo o contrário: é simples, leve e alegre. Abre-nos à mudança, enquanto que a análise cria uma maior rigidez e inércia.

Tente testemunhar sua vida em vez de obsessionar-se com os porquês. E se não tivesse por quê? E se apenas fosse o que é e o único que você necessita fazer fosse simplesmente ser? Se você coloca demasiado empenho em entender, apenas terminará mais confuso! Ao invés disso, tente ser mais leve, mais inocente. Começará a entender as coisas desde um espaço mais profundo, além das dúvidas e das incertezas que inevitavelmente acompanham o raciocínio do intelecto.

Através do tempo, as pessoas têm utilizado diversas práticas para ajudar-lhes a transcender o sofrimento e descobrir a paz interior. O importante é que você vá para dentro, conectando-se internamente e o uso de qualquer prática permitirá que seja muito mais fácil fazê-lo. Dedicar tempo à prática diariamente dará lugar a um maior autoconhecimento e autoconfiança.

A prática da introspecção pode ter um número infinito de formas, desde a oração, a meditação, os cânticos, ásanas de yoga, vipássana, o tai chi, até manter um diário escrito. Eu recomendo meu Sistema e suas facetas porque é o que eu usei em minha própria viagem interior. O que seja que use neste sentido, será uma excelente ferramenta para ir além da superfície da mente. Inclusive a mera contemplação da natureza, de seu respirar, das batidas de seu coração. Dentro de você está tudo.

Isha, autora do livro “Por que caminhar se você pode voar?

Texto original: http://www.emol.com/tendenciasymujer/Noticias/2013/01/16/23706/Disfrutar-versus-criticar.aspx#.UPhHHZsUSSI.email
Tradução: Fabiana Simões